Após as primeiras semanas nas terras holandesas, já fomos pegando o jeito de tudo, conhecíamos melhor a cidade, já sabíamos algumas palavras em holandês (oi, tchau e obrigado…kkk) e decidi: vou entregar as cartas de bicicleta!

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Não deve ser tão difícil!

Andar de bicicleta na Holanda é tão fácil, o país é todo plano, há faixa de bicicletas em quase todas as ruas e os ciclistas são super respeitados pelos motoristas.

Além disso, TODO MUNDO tem sua bike e usa, pode ser para levar os filhos na escola, para ir ao mercado, ir trabalhar ou para visitar um amigo, a bicicleta está super presente na vida dos holandeses.

Eu acabava de ser “promovida”, tive a oportunidade de entregar cartas em um segundo bairro e a pé ficaria inviável de fazer, afinal eu rodava em cada bairro em torno de 15 km e as entregas tinham que ser feitas no mesmo dia (SIM, 30km POR DIA – ou mais – dependendo se eu me perdia um pouquinho kkk)

Enfim, esse processo tinha que ser melhorado!

Como eu disse no texto “O Choque” (se você não leu, corre lá antes de ler esse), só andava de bicicleta algumas vezes por ano no parque Ibirapuera, não era algo que estava acostumada a fazer, mas precisaria me acostumar se quisesse continuar trabalhando com isso (e eu queria).

Então comecei a procurar com a ajuda do Erik no “Mercado Livre” holandês, o MarktPlaats várias opções de bicicleta, uma mais linda do que a outra.

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Na minha imaginação “ao invés de flores, cartas. No final de semana, flores de novo =)”

Aliás, aqui vai uma valiosa dica: se for para a holanda, entre no site e procure por Fietsen en Brommers no menu, compre uma bicicleta e seja feliz! É muito mais barato DO que alugar uma em qualquer loja e depois você pode repassá-la!

Claro que a gente nem sabia por onde começar, além disso, as palavras em holandês não faziam ser uma tarefa fácil.

Nosso sonho era comprar uma bicicleta elétrica, que sustenta o esforço enquanto pedala, fazendo ser um exercício menos cansativo, mas elas estavam fora do nosso orçamento, em torno de 1000 euros (a mais básica).

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Até que vimos uma bicicleta motorizada muito barata, era bem antiga: preta, com duas bolsas velhas dos lados, ferro descascando, mas não me importava com isso, só queria trabalhar mais e melhor, melhorando a bike aos poucos.

A diferença dela para uma bike elétrica é que tem um motor à diesel e parecia mais uma motinho do que uma bicicleta. Estava só 80 euros!

Mandamos mensagem para o dono e para dificultar ainda mais, ele não falava inglês.

Mas fomos com o Google Translator, a cara e a coragem ver pessoalmente a bike, super animados e já com o dinheiro contado para comprar (vai que a gente gosta!).

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E se caso não gostasse, já tínhamos visitas pré-agendadas para depois.

Chegando lá, nos comunicamos “daquele jeito” e o Erik foi me ensinar a andar.

Era parecido com uma moto, tinha que ligar e acelerar no guidão, além dos pedais para pedalar.

Eu nunca tinha guiado uma moto antes (e mal uma bicicleta kkk), então fui treinar para ver se me adaptava (e se não ia dar de cara com um poste).

Andava de um lado para o outro, fazia curvas, quase subia na guia… mas estava tudo bem.

Até que quando eu olho para trás, uma fumaça preta saindo do escapamento da bike e marcando no ar as curvas que fiz.

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Só conseguia imaginar a cena: eu entregando as cartas de porta em porta, manchando o bairro com a fumaça preta com cheiro forte em um lugar que mal tem poluição.

Conheça aqui 10 coisas que aprendi quando morei na Holanda

Não ia rolar mesmo, então agradecemos e fomos para a próxima visita.

O próximo já falava inglês (ufa), estava vendendo uma bicicleta comum, mas com tudo que precisava para entregar as cartas: cesta na frente, pés mais resistentes e protetores de pneu.

Era da mãe dele, uma senhora de uns 75 anos que ganhou uma bicicleta elétrica do governo (faz parte da aposentadoria) e não ia mais usar a comum.

Aliás, isso era algo que nos emocionava todos os dias: a mobilidade das pessoas mais velhas e debilitadas.

Passeiam pelas ruas sozinhos, com bicicletas ou cadeira de roda motorizada, levando seus cachorrinhos e apreciando o dia, sem dificuldade de subir nas guias ou entrar em estabelecimentos.

A bicicleta era o que eu precisava, estava super bem cuidada e estava só 50 euros!

Não tivemos dúvida, era ela mesmo!

Voltei tããão feliz pra casa…

Conheça aqui +15 coisas que aprendi quando morei na Holanda.

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Mal sabia que tinha acabado que comprar minha nova melhor amiga!

Ela começou a me acompanhar por todos os lugares e me trouxe um sentimento de liberdade inexplicável.

Me levou para lugares que a pé eu não teria ido.

Ainda tinha a cestinha para caber tudo que eu quisesse. Era perfeita e finalmente eu me sentia mais parte da Holanda andando na magrela pelas ruazinhas e canais!

Claro, o medo de cair me assombrava e toda vez que eu passava por um canal, lotada de cartas ou não, ficava até tremendo só de imaginar se uma coisa dessas acontecesse.

Era definitivamente o meu pesadelo me imaginar mergulhando nos canais (alguns cheios de lodo) que nem sabia a profundidade, de bicicleta e tudo que me acompanhava.

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Um certo dia estava entregando as cartas em uma parte industrial do bairro, onde andam muitos caminhões (o lugar mais “perigoso” da minha rota), nem sempre os motoristas  eram educados e sempre apressados, era o lugar que eu tinha que redobrar a atenção.

Pelo lado positivo, esse bairro não tinha canais no meio, uma coisa a menos para me preocupar.=)

Era final de tarde, o tempo estava firme e eu estava no pique, quase acabando.

Foi quando a roda da bike pegou em uma parte de metal da guia, travou e me jogou COM TUDO para frente (Me senti num episódio do pica-pau que o cavalo para com tudo e arremessa ele na parede).

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Dei uma bela cambalhota no ar e tudo que estava na cestinha, nas malas laterais e em mim caiu no chão, se espalhando pela calçada.

Estava, tudo espatifado. Óculos quebrado, cartas espalhadas, cestinha torta, camiseta suja, garrafa de água rolando e eu no chão.

A primeira reação foi olhar para os lados para ver se tinha alguém olhando. Tudo vazio.

Os holandeses tem o grande poder de se esconder, as ruas parecem vazias mas você sempre está sendo observado.

Comecei a rir muito, gargalhar, sem acreditar no que tinha acontecido e tentando entender como aconteceu.

Levantei aos poucos, juntei tudo do chão, coloquei a lente do óculos no lugar, sacudi a poeira e montei na bike de novo, rindo muito e com o estado de alerta no máximo.

Tudo isso com o pressentimento que tinham pessoas me observando de alguma janela ou câmera, obviamente rindo muito.

No próximo dia de entregas, já entrei no bairro rindo muito, com a atenção redobrada, passei por uma grupinho de pessoas fumando na porta de um prédio.

Falei “bom dia” e todos eles reponderam, rindo baixinho e um deles perguntou “está bem?”.

Pronto! Sabia que alguém (ou muitos “alguéns”) tinham visto!

A minha teoria de que sou sempre observada nas ruas holandesas foi confirmada! rs

Com certeza fiquei famosa pelo tombo, que apesar de “feio”, não me machucou e apenas ficou mais uma história para contar (e agradecer que não foi em um canal kkkk)

Já passou por algo parecido? Deixe seu comentário e divida com a gente!

Acompanhe todos os posts do período sabático:

1 – O início – #1

2 – O Choque – Holanda #2

3 – A Fábrica – Holanda #3

4 – O Náufrago – Holanda #4

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