Passear pela Holanda é muito bom, eles tem várias opções de atividades ao ar livre e sempre que pudemos, experimentamos um pouquinho do que os nórdicos tem a oferecer.

Andar de bicicleta claro, como todos conhecem é a atividade mais comum entre os holandeses.

Se quiser saber mais sobre como os Holandeses se tornaram “o país das bicicletas”, indicamos o blog Ducs Amsterdam, que conta a história completa.

Hoje, depois de muito incentivo do governo, a Holanda possui nada mais nada menos que 32 mil km de ciclovias (fietspads).

Mais de 100 rotas de bicicleta atravessam as áreas mais remotas do país, tornando a bicicleta o meio de transporte mais prático e divertido, dentro e fora das cidades.

Enquanto passeamos nas planícies podemos observar os moinhos, as fazendas e plantações das regiões, os pássaros voando, é lindo!

Veja 10 curiosidades que aprendemos quando moramos na Holanda.

Uma curiosidade grande e que quase nenhum holandês sabe, é que os postes como estes que encontramos no meio da região das fazendas, marcam exatamente onde um navio estava naufragado quando a região era mar e, quando as terras foram drenadas era mais barato enterrar os navios do que retirá-los.

O mesmo aconteceu com os aviões da segunda guerra mundial, que estão enterrados e alguns ainda tem até com as bombas dentro!

Uma outra curiosidade deliciosa são as “lojinhas” na porta das fazendas, onde os fazendeiros deixam uma parte da produção para ser vendido aos viajantes das estradas, e isso inclui os ciclistas que se deliciam com os morangos frescos que foram colhidos no dia.

Humm deu até água na boca…

As lojinhas são autossuficientes, ou seja os produtos são deixados em bancadas, ou em geladeiras abertas ao público, sem nenhuma supervisão de vendedor ou câmeras e assim os clientes se servem dos produtos e depositam o dinheiro na caixinha deixada com alguns trocados pelo proprietário da fazenda.

Caso o troco acabe, você pode deixar a mais (ou a menos) e compensa na próxima vez!

Conheça aqui mais 15 curiosidades que aprendemos quando moramos na Holanda.

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Lojinha de rua self service vendendo leite de vaca

É um sistema incrível e que funciona muito bem. Deixou dois ciclistas brasileiros quase em overdose de morangos!

Sério, em uma saída para pedalar chegamos a comer três caixas inteiras de morango!!!

Nem preciso dizer que estavam deliciosos né? Eram enormes e estavam tão fresquinhos!

Além da bicicleta, os esportes aquáticos são os predominantes, e em um pais que venta MUITO não é de se espantar que os esportes de vela reinem nas praias e lagos.

E foi em um fim de semana destes que resolvemos ir acampar e alugar um barco a vela (que sempre tivemos muita vontade em aprender).

A grande questão é que nenhum de nós dois, nunca sequer na vida sequer içou uma vela, os cursos lá para velejar duram uma semana e gastaríamos o dinheiro que estávamos juntando para nosso mochilão.

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O Canal principal de Balk

Meu padrasto, holandês, nos disse que poderia ensinar, que velejar é muito fácil e que era só alugar o barco cedo, assim ele nos ensinaria e depois iria trabalhar.

Ok! Não deve ser tão difícil assim! – Pensamos

No dia já nos dirigimos a uma cidadezinha próxima de Lemmer, chamada Balk, que tem o camping já com os barcos para alugar, alugamos para o dia seguinte e fomos para casa arrumar as coisas para acampar.

No dia seguinte, montamos tudo, deixamos nossas coisas e saímos para retirar o barco.

Ventava muito…

A atendente nos disse que uma frente fria estava entrando naquele fim de semana, e por isso os ventos seriam mais fortes a tarde.

Claro que ela disse isso animada!

Se você está alugando um veleiro o que você mais quer é vento certo?

Só que a tarde nós estaríamos sozinhos com o barco, então respondemos com um sorriso amarelo e saímos…

O dia estava muito ensolarado, com poucas nuvens no céu, um dia como tantos outros que nos tiravam o folego nos lagos holandeses.

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Mas o que estava tirando nosso fôlego neste dia era a briga contra o vento, o barco entortava, puxava para direita, para esquerda e a gente lá, desviando do mastro que brandia para todos os lados, preocupados em não ser arremessados para fora, ou pior, naufragar.

Demos tanta risada, estava sendo incrível!

Uma hora se passou e “Preciso ir trabalhar, vamos voltar e a partir daqui o barco é de vocês!” – Disse meu padrasto

Deixamos eles no deck pensando, e agora?

– E agora? Acho melhor a gente deixar o barco aqui e ir almoçar, né?

– Claro! Com certeza, isso faz todo sentido do mundo, vamos almoçar e depois voltamos para velejar! (Graças a Deus uma ideia genial de adiar um pouco nossa agonia)

– Mas depois vai estar ventando muito…

– É né? Bom vamos velejar agora então… (com a voz estremecida de medo)

Tiramos o barco com o motorzinho, saímos do deck e fomos para o meio do lago. Lá pelo menos os outros barcos estavam seguros de nós… e nós estávamos seguros das pedras das margens.

Hora de levantar as velas… (já era difícil com 4 pessoas, com duas então…)

Depois de uns 20 minutos de tentativas e erros, conseguimos! Finalmente! Estávamos velejando SOZINHOS!

Começou a ventar muito, muito mesmo, o barco se contorcia para os lados, as velas retesavam e rangiam, mas estávamos velejando!

Por algumas vezes ficamos com o barco totalmente de lado, tivemos que puxar as cordas de segurança para não tombar, mas tudo não passava de alguns momentos susto (para não dizer pânico).

E lá íamos nós, ziguezagueando pelo lago, rindo muito, desesperados e felizes ao mesmo tempo! Que incrível!

Que história linda! Com apenas um probleminha… esqueceram de contar pra gente que os lagos acabam e que fatalmente, se você não andar em círculos com o barco você vai ser jogado para a margem…

E como disse, nós estávamos ziguezagueando alegremente…

Acho que este sempre foi e sempre será um mistério para nós, como um barco a vela pode velejar contra o vento? Tem que admitir que é meio estranho, né?

Pois é, além de estranho é bem difícil fazer isso… (pelo menos pra gente)

Quando demos conta, estávamos a uns 40m da margem, as pedras que pareciam longe no começo, já brilhavam em nossa frente.

E a gente estava indo diretamente para elas!

– Vira o barco, AGORA! (musica de fundo do Titanic rolando ao fundo)

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Contra o vento, quando viramos um barco a vela, por lei ele tomba, e sempre que ele vai tombar, a gente puxava a cordinha de segurança, e dessa vez não foi diferente.

Puxando a cordinha de segurança, as velas se soltavam, e a pressão do vento diminuía e o barco desacelerava.

O barco virou de frente para o lago, mas a situação não mudou, piorou na verdade, agora estávamos indo de ré para as pedras e não tínhamos a vela para mudar de direção.

Já estávamos a uns 5m das pedras, quando tive que saltar para o motor do barco e puxar a corda de start.

Dei um puxão muito forte, o motor ligou e, morreu…

Em nossas cabeças começou uma espécie de contagem regressiva trágica

“1 minuto para o impacto…”

Outro puxão na corda, nada…

“30 segundos para o impacto, 29, 28…”

Respirei, levei a mão a corda mais uma vez e puxei com o mínimo de desespero possível.

Ligou! Finalmente!!!

O motor ligou tão perto das pedras que eu já havia soltado a alavanca para levantá-lo, de modo que, quando ligou fez um jato de água para cima das pedras e logo afastou o barco dali.

Voltamos para o deck mudos, com medo de acabar a gasolina do motor, afinal era apenas um motor de manobras.

Chegamos no deck, amarramos o barco e saltamos dele o mais depressa possível para a segurança da nossa barraca.

Foi uma situação desesperadora, mas que acabou nos unindo muito, e hoje damos muita risada ao contar essa história!

Esperamos que tenham gostado!

Continuem nos acompanhando nos próximos posts!

E não se esqueçam, se forem velejar, façam o curso antes, e usem colete!  Hahaha

Não sabe como tudo começou? Clique aqui e descubra!

22 comentários em “O Náufrago – Holanda #4

  1. Tem um senhor no interior de Minas que faz isso. Ele tem uma banquinha na beira da estrada com os preços de tudo! Diz ele que nunca “esqueceram” de pagar nada! Ele faz isso e diz que mesmo que aconteça de alguém “esquecer” ele continuará com a banquinha porque as pessoas são boas, e precisamos confiar um nos outros ❤

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