Em uma manhã de sol, decidimos sair de Sharm el Sheikh, onde estávamos hospedados, para o Blue Hole (Dahab).

Um dos lugares mais famosos para mergulho, tão mágico que muitos mergulhadores famosos se esqueceram dos seus limites e morreram.

Estima-se que 150 pessoas morreram neste lugar nos últimos 10 anos, inclusive o melhor mergulhador do mundo, David Shaw.

Você consegue imaginar nossa excitação para chegar neste lugar, certo?

Conheça aqui os melhores lugares para viajar no norte da Africa.

Como o transporte público lá é precário, pegamos um táxi.

Negociamos antes o valor e duração do passeio e começamos a viagem, MUITO empolgados.

O combinado foi: 500 libras egípcias pela ida, espera de 2 horas, e volta (são 27 dólares, bom custo benefício para nós e um negócio da China para ele, pois em uma tarde ele faria 70% do salário mínimo local).

Todo mundo satisfeito, né?

Não, nem todo mundo…

No caminho, conectamos nosso celular no rádio, escolhemos músicas (brasileiras, que saudade!) e fomos cantarolando felizes, observando o deserto, com todas as cores e desenhos formados pelos ventos e areias.

A cada 20 km surgia uma barreira policial, onde tínhamos que mostrar nossos documentos e informar o destino final.

Como essas cidades ficam ao lado da fronteira com Israel, o policiamento é intenso, um verdadeiro cenário de guerra.

Tanques, armas de grande calibre, barreiras formavam um cenário que só vimos nos noticiários, assustador e curioso, mas que virou parte da rotina.

Vista do Blue Hole

Chegamos em Dahab! Falta pouco…

O taxista encostou o carro em um café e nos avisou que dali seguiríamos em outro carro estilo 4×4, pois carros comuns não chegam à praia.

E que nos esperaria ali para o retorno.

Pegamos seu número de telefone e seguimos com um amigo dele.

Andamos uns 3 km e chegamos ao tão desejado Blue Hole.

A “praia” de pedras possui um deck de uns 3m de comprimento que dava direto ao imenso buraco azul com 124 metros de profundidade.

Nos jogamos (literalmente) e foi lindo.

Temperatura perfeita, visibilidade ótima, corais incríveis com peixes multicoloridos ao lado esquerdo e um imenso azul interminável do lado direito.

Que frio na barriga maravilhoso!

Ficávamos imaginando o que poderia estar a poucos metros de nós: tubarões, golfinhos, arraias?

Isso aumentava mais o frio na barriga e a emoção.

Fizemos snorkeling até não aguentarmos mais e depois sentamos em um restaurante logo em frente contemplando aquele lugar mágico.

A sensação de flutuar era incrível!

Dentro do Blue Hole

Hora de voltar… =´(

Estávamos tão relaxados que nem conversamos direito no carro.

Era só uma vontade incontrolável de sorrir.

Foi uma das experiências mais incríveis das nossas vidas!!!

O motorista nos entregou de volta para Mohammed, que tentando não deixar que nós víssemos (mas nós vimos), o entregou uma nota de 50 libras egípcias.

Voltamos a ligar a nossa música e seguimos em paz de volta para nosso hotel.

Como seria bom se essa história acabasse aqui.

Final feliz e ponto.

Mas os egípcios adoram “apimentar” as coisas, literalmente.

Mohammed decidiu falar, a 85 km de distância do nosso hotel (no meio do deserto) que iria nos cobrar mais 400 libras egípcias pelo passeio no “4×4”.

Totalizando 900 egípcios passeio, o dobro do que havíamos combinado.

– Oi? De onde você tirou esse valor? rs… – falamos, pensando que ele estava brincando.

Logo ele começou a se exaltar e tivemos a certeza que se tratava de um golpe.

Discutimos. Negamos.

Ele ficou tão exaltado que esmurrava o volante gritando.

“Whyyyy? Whyyy?!”.

O sentimento de paz se tornou revolta, raiva e medo.

Continuamos negando a imposição dele, pedindo para ele cumprir com a palavra.

Ele finalizou a conversa com “Então nós temos um grande problema.”

Em países de terceiro mundo é muito comum os problemas com taxistas, é só procurar por relatos de viagens que logo irá encontrar dicas de como lidar com eles.

Muitos (99.9%) se aproveitam de pessoas que não conhecem os locais para ganhar mais.

Apesar de termos sido cautelosos em diversas situações, essa realmente passou dos limites e nos assustou.

Nada aconteceu durante o caminho.

Todos quietos, tiramos a música e o silencio reinava…

Até que chegamos de volta à Sharm El Sheikh.

Ele encostou o carro no lugar que combinamos e o entregamos o dinheiro.

– “Quanto tem aí?” – Perguntou ele

-“O valor que combinamos.” – Disse o Erik

Ele voltou a berrar, praticando um teatro que está acostumado a fazer com turistas.

É um golpista com experiência.

Não aceitou nosso dinheiro.

Eu, que já tinha meus planos calculados, saí do carro e tirei uma foto da placa sem ele perceber.

Vendo a minha movimentação, Erik também desceu, colocou o dinheiro em cima do banco falando “aqui está o que combinamos”

E saímos de fininho para longe dele, que continuou gritando.

O sentimento era de angústia e medo.

E agora, o que vai acontecer?

Ele vai atrás de nós?

Vai nos roubar?

Sei lá, sempre pensamos nas possibilidades.

Decidimos ir à polícia turística relatar o que aconteceu e pedir ajuda para continuarmos seguros por mais uma noite.

Afinal no próximo dia já seguiríamos viagem.

Chegando na delegacia (que por sorte, era ao lado do hotel), fomos acomodados na sala do delegado.

Era fim de tarde, hora do chá.

Tinham dezenas de policiais fumando um cigarro atrás do outro em pequenas salas fechadas.

Contamos o que aconteceu e fomos orientados a aguardar.

Aguardamos…

Após 40 minutos chegou o Ahmet, se apresentando como o tradutor em árabe.

Contamos com detalhes o que aconteceu e mostramos a foto da placa do carro.

Fizemos um documento e assinamos.

Quando dissemos que tínhamos o número de celular dele, o delegado foi ao delirio!

Estava claramente incomodado com a situação, não pensou muito e começou a discar o número no celular.

Gelamos… e agora? amanhã não vamos sair do hotel, pensávamos…

Tocou e Mohammed atendeu.

O delegado se apresentou e já começou o sermão.

Foi uma pena ter sido em árabe, pois a “conversa” estava muito cômica.

Os policiais na sala, seguravam o riso, cochichavam, se olhavam discretamente.

O delegado gritava, batia na mesa, era um show.

Após minutos de conversa, o delegado finalizou com algum palavrão, desligou na cara do Mohammed e olhou para nós com um sorriso maroto, tipo “Pronto, fim da história”.

Nesse momento, todos riam e pareciam satisfeitos com o desfecho.

Saímos da delegacia felizes e com sentimento de dever cumprido, imaginando que agora ele pense duas vezes antes de aplicar outros golpes por aí.

De acordo com nossa experiência, sim, a polícia turística funciona…

E você, já teve alguma experiência parecida? Conte para gente!

Conheça aqui como tudo começou!

3 comentários em “Nossa experiência com a polícia turística de Sharm El Sheikh, Egito.

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